Você come? Sim? Parabéns! Você está participando da maior experiência já realizada em seres humanos.” – Documentário GMO, OMG, de Jeremy Seifert.

GMO é a sigla para “organismo geneticamente modificados” (genetically modified organism), mais conhecidos como “transgênicos”. A indústria modifica geneticamente determinados alimentos (a transgenia em si não é o problema) para que esses tornem-se resistentes a herbicidas e pesticidas (agrotóxicos), ou seja, são modificados para que tal alimento não morra com todo o veneno (aqui está o problema). Esses venenos matam todo e qualquer tipo de vida, exceto o próprio alimento modificado e resistente ao veneno, o qual o absorve, é colhido, vendido e vem parar no nosso prato, no nosso corpo. São substâncias criadas para destruir elementos vivos, e a gente come isso (!).

Os principais alimentos transgênicos são a soja (modificada para ser resistente ao herbicida glifosato) e o milho (modificado de duas maneiras: para ser resistente a herbicidas e para autoproduzir uma toxina que envenena insetos). Com o passar dos anos as pestes agrícolas vêm tornando-se resistentes aos pesticidas e herbicidas, tal como bactérias tornam-se resistentes aos antibióticos devido ao uso indiscriminado e abusivo, o que faz com que as doses aplicadas sejam cada vez maiores. O Brasil está em primeiro lugar no ranking do uso de agrotóxicos no mundo, fazendo com que cada brasileiro consuma em média 5,2 litros de pesticidas por ano, com regiões que chegam a 120 litros por pessoa por ano. Mas qual o real impacto na nossa saúde?

 

Estudos com os GMOs

Inúmeros estudos com os GMOs e seus venenos apresentam resultados com consequências alarmantes, como o unânime desenvolvimento de tumores em animais submetidos ao consumo de glifosato (classificado pela OMS como “provavelmente/potencialmente cancerígeno”) Roundup®, da empresa Monsanto, o tal veneno utilizado nas plantações e presente no nosso prato diariamente. Além causarem danos à estrutura do nosso DNA, foram observados desequilíbrios hormonais com consequências diretas e graves sobre o sistema reprodutor, comprometimento neurológico e desenvolvimento de Parkinson e transtornos mentais. Coincidência ou causa para o crescente e exacerbado número de casos de câncer no mundo inteiro? Nada é por acaso. Mas onde estão esses estudos? Confiscados e retratados por grandes revistas científicas que (opa!) possuem como editores membros da Monsanto. E os estudos da Monsanto, que dizem não haver risco tampouco prejuízo à saúde com o consumo de seus próprios venenos? Escondidos, protegidos, secretos e confidenciais (!).

glifosato

Mas, só um pouquinho. Estão nos obrigando a comer um veneno e nos privando do direito de saber onde ele está presente? Esses venenos estão nos vegetais, na água, no solo, na soja e no milho que alimentam animais e que possuem dezenas de derivados, então estão nas carnes, nos leites, ovos, nos alimentos industrializados, nas refeições servidas em restaurantes etc. Você sabe o que você está comendo? Você sabe como descobrir o que você está comendo? Você sabe se você pode saber o que você está comendo?

 

No Brasil

A briga pelo direito de saber o que estamos comendo está ganhando voz. Apesar de inúmeros movimentos e manifestações, votações e projetos de lei, a indústria (especialmente a Monsanto) move bilhões de dólares para impedir as pessoas de saberem o que estão comendo. Simplesmente porque sabem que elas deixarão de consumir alimentos envenenados, assim que souberem onde o veneno está. E nessa manobra a indústria ganha tempo para contaminar todo e qualquer tipo de alimento que ingerimos, até chegar um ponto em que não haverá outra opção que não seja sermos submissos e dependentes dos alimentos contaminados, pois todos estarão. Na Noruega, por exemplo, há uma lei que determina que “não é permitido produzir nem comercializar alimentos que contenham qualquer tipo de substância que ofereça qualquer tipo de risco à saúde e/ou que comprometa a sustentabilidade e o meio ambiente”. Adivinha que tipo de substância é barrada, condenada e, devido a descrição acima, sob hipótese alguma entra no país? Bingo! No Brasil, há dois selos que estão aparecendo cada vez mais, o selo de alimentos orgânicos, certificado pelo IBD (no site www.ibd.com.br é possível consultar insumos, produtos e empresas certificadas, além de conferir toda a legislação) e o selo de alimentos transgênicos, cuja obrigatoriedade vem sendo ora revogada ora ratificada em sucessivos projetos de lei.

 

Orgânicos

A questão sobre a relação custo/benefício volta à tona. Será que são os alimentos orgânicos que são caros ou será que o envenenamento em massa torna os alimentos envenenados baratos demais? Será que comprometer a saúde sendo conivente com tanto envenenamento e assumindo os inegáveis e absurdos gastos futuros (não tão distantes) com tratamentos para tentar recuperar a saúde e minimizar os prejuízos causados por tanto veneno vale mais do que investir e garantir a saúde a curto e longo prazos consumindo alimentos orgânicos? Sem dúvida alguma, no fim das contas, é mais barato, mais inteligente e mais saudável prevenir (e garantir) do que remediar (e provavelmente não funcionar).

Por outro lado, se as plantações orgânicas são a solução, saibam que elas também podem estar ameaçadas. Além da contaminação de solo e de águas, os transgênicos ainda podem contaminar a agricultura orgânica com pólen, vento e outros insetos. E o que acontece? Nos EUA, conforme retratado pelo filme “GMO, OMG”, uma vez que a Monsanto possui a patente das sementes transgênicas, há casos de confisco de produções orgânicas cujos alimentos foram analisados e foi detectado um pequeno nível de contaminação, acusando a plantação orgânica de estar “beneficiando-se” (?) do produto patenteado sem a licença da Monsanto e aplicando uma multa absurda, impedindo-a de continuar sua produção.

Alguns números e dados:
– Entre 2000 e 2012 a utilização de pesticidas cresceu 288% no Brasil.
– Nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto o brasileiro cresceu 190%.
– O Brasil é o país que MAIS usa agrotóxicos no mundo.
– Em 2009, 64% das amostras de pimentão analisadas pela Anvisa apresentaram agrotóxicos muito além da conta e 36% das amostras de morangos apresentaram irregularidades quanto ao uso de pesticidas.
– No Brasil, há mais de 400 ingredientes ativos de agrotóxicos, mas apenas metade deles é avaliada no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos, da Anvisa. E (pasmem!) o glifosato não passa por essa análise.
– Existe ainda uma norma para a aplicação de pesticidas a determinados alimentos, porém, tem veneno destinado ao pimentão que é encontrado em grandes quantidades no tomate, por exemplo. Outro problema é que, neste caso, o produto sequer terá efeito em outro vegetal, e quem paga por esse coquetel de pesticidas e seus malefícios potencializados em cada alimento? E isso que nem todos os alimentos são analisados. Ê Brasil.

Fontes: gmofilm.com; Revista Saúde é Vital, Ed. Dez/2015.

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